A casa, a cidade e a canção: entre promessa e permanência nos tempos da moradia popular brasileira

Publicado
2026-06-19
Palavras-chave: temporalidade urbana, regimes de historicidade, política habitacional, música popular urban temporality, regimes of historicity, housing policy, popular music temporalidad urbana, regímenes de historicidad, política habitacional, música popular

    Autores

  • Bianca Camargo Martins Universidade Estadual de Ponta Grossa; Departamento de Geociências; Programa de pós-graduação em Geografia https://orcid.org/0000-0001-9041-9021
  • Edson Belo Clemente de Souza Universidade Estadual de Ponta Grossa; Departamento de Geociências; Programa de pós-graduação em Geografia https://orcid.org/0000-0003-3307-0518

Resumo

Este artigo analisa a política habitacional brasileira a partir da articulação entre história institucional e música popular, com o objetivo de compreender a moradia popular como campo de fricção entre regimes de historicidade não sincronizados. Parte-se da hipótese de que os diferentes ciclos da política habitacional - da ausência de intervenção estruturada ao desenvolvimentismo, da juridificação do direito à moradia à sua financeirização recente - instituem horizontes de expectativa que não se realizam de forma homogênea no território, produzindo descompassos persistentes entre o tempo da política e o tempo da experiência urbana. A partir do referencial teórico de Koselleck, Hartog, Lefebvre, Santos e Rosa, argumenta-se que esses descompassos não são transitórios, mas expressão de uma dissociação histórica entre os ritmos da produção institucional da moradia e os ritmos concretos da vida nas cidades brasileiras. Metodologicamente, o artigo mobiliza onze canções da música popular brasileira, produzidas entre 1928 e 2017, como fontes analíticas organizadas em quatro períodos históricos, interpretando-as como formas de inscrição sensível das temporalidades que atravessam cada ciclo da política habitacional. A análise demonstra que a casa não se configura apenas como abrigo ou direito, mas como espaço onde se materializam os descompassos entre promessa e permanência, aceleração institucional e repetição da precariedade, formalização normativa e reprodução da desigualdade. Conclui-se que a questão habitacional, no contexto brasileiro, deve ser compreendida também como problema temporal, cuja superação exige enfrentar as condições estruturais que produzem a dissociação entre os tempos da política e os tempos da vida.

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Como Citar
CAMARGO MARTINS, Bianca; BELO CLEMENTE DE SOUZA, Edson. A casa, a cidade e a canção: entre promessa e permanência nos tempos da moradia popular brasileira. Revista Thésis, Rio de Janeiro, v. 11, n. 21, 2026. DOI: 10.51924/revthesis.2026.v11.644. Disponível em: https://thesis.emnuvens.com.br/revista-thesis/article/view/644. Acesso em: 20 jun. 2026.

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