Temporalidades em políticas urbanas

Publicado
2026-06-19
Palavras-chave: temporalidades urbanas, políticas urbanas, planejamento urbano, zona de conflito temporal, complexidade urban temporalities, urban policies, urban planning, temporal conflict zone, complexity temporalidades urbanas, políticas urbanas, planificación urbana, zona de conflicto temporal, complejidad

    Autores

  • José Almir Farias Universidade Federal do Ceará; Instituto de Arquitetura, Urbanismo e Design; Programa de Pós-Graduação em Arquitetura, Urbanismo e Design (PPGAUD/UFC) https://orcid.org/0000-0002-7781-4614
  • Denise Pinheiro Machado Universidade Federal do Rio de Janeiro, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Programa de Pós-Graduação em Urbanismo (PROURB-FAU/UFRJ) https://orcid.org/0000-0002-2326-6202

Resumo

O artigo examina as políticas urbanas a partir da temporalidade como categoria estruturante da produção e gestão do espaço urbano. Contrapondo-se à concepção hegemônica do tempo linear no planejamento, propõe compreendê-lo como construção sociopolítica atravessada por ritmos heterogêneos, descontinuidades e relações de poder. A hipótese central sustenta que políticas urbanas operam sob múltiplos regimes temporais provocando rearticulações funcionais e fricções que comprometem sua coerência interna e sua efetividade prática. Epistemologicamente ancorado na crítica do espaço-tempo urbano e na teoria da complexidade, o estudo desenvolve um modelo teórico-analítico organizado em três dimensões — tempo institucional, tempo social e tempo ecológico —, cuja interação configura o que se denomina zona de conflito temporal. Longe de constituir uma anomalia circunstancial, essa zona é estrutural às cidades contemporâneas. Sua origem reside na coexistência de temporalidades dissonantes que, ao interagirem, condicionam os ciclos das ações públicas. Neste sentido, ela condensa alguns traços constitutivos: a assincronia estrutural entre os regimes temporais; uma opacidade decorrente das dificuldades de coordenação multiescalar e da invisibilização seletiva das temporalidades de grupos vulneráveis e de processos naturais; e a disputa de legitimidades nas arenas decisórias. O argumento desenvolvido sugere que para interpretar as políticas urbanas há de se abandonar a busca por sincronização e reconhecer que a pluralidade temporal não é disfunção a corrigir, mas condição constitutiva do urbano. Avançar nessa direção implica desenvolver capacidades de mediação e redes sociotécnicas aptas e a construir respostas mais equitativas e sensíveis à complexidade do urbano.

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Como Citar
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